sexta-feira, 26 de julho de 2013

Dia 11 - Compasso de espera...


Quando morei em BH, fiz dança de salão por quase dois anos. Fui aluna bolsista e fazia praticamente todas as aulas e todos os ritmos, chegando até a passar de nível básico para o intermediário. Eu saia de um dia estressante de trabalho e ia direto pra aula, amava de paixão chegar na sala e simplismente esquecer da vida. Era a minha parte lúdica sendo exercitada.

Desde que me mudei pra cá, ou seja há quase 5 anos, eu ainda não consegui voltar a dançar, mas sempre que estou com algum problema ou aflição, eu comparo à algum ritmo de dança.

O post de hoje é sobre o tango, este lindo ritmo argentino, e de todos, é um dos mais difíceis de ser executado. O tango é uma das danças mais lindas que existe, talvez pela tensão que ele exala, é intenso, sensual, mas sobretudo dramático, sofrido.

Ele parece lento, parece simples, parece teatral, mas exige um esforço e percepção de ritmo sem igual e existe um passo, que, se você não o aprende direito, não adianta sair fazendo um oito perfeito (nota: não é quadradinho, é só 8) que todo o movimento fica comprometido, prejudicado.

Estou falando do “compasso de espera”, é o primeiro passo que aprendemos e é exatamente o mais difícil. O passo consiste basicamente em esperar o melhor momento para se movimentar. Sabemos que na dança de salão, a ordem de comando é dada pelo parceiro, o homem comanda a dama. Mas no tango, e no compasso de espera, isto é mais complicado ainda, pois envolve uma sincronia, uma antecipação de movimentos gerando uma ansiedade enorme. Se o seu parceiro vai para frente, a dama recua para trás, se ele vira pro lado, a dama vai para o lado também...e assim sucessivamente, mas sempre num ritmo e num “compasso” pré-determinado por ele.

A minha vida se transformou num eterno compasso de espera e que nem sempre, tenho a indicação correta de que direção o meu parceiro me passa para eu ir. Eu vivo com a sensação de estar pisando errado, ou às vezes pisando no pé do meu par, o que seria fatal na dança de salão.

Acontece que tem dias que o desânimo bate de tal forma e a incerteza de acertar ou errar o passo é tão grande, que  fico sempre com esta sensação, de ter dançado o tango errado, medo de não ter feito o movimento perfeito e não ter conseguido aplausos no final...confesso que dá sim, vontade de abandonar tudo, deixar o salão,  mudar de ritmo, esperar um movimento mais fácil e dançar... conforme a música do tempo...

LOOK 11 - Mais um look invernal com o casaco mais quente que possuo, e a boina de oncinha já batida nos looks daqui, para enfrentar o inverno rigororoso em SP .

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