sábado, 20 de julho de 2013

Dia 17 - Lado B, Lado A.

No premiado filme nacional “Durval Discos” a história do solteirão dono de uma lendária loja de discos e que é dominado pela mãe se desenrola em dois momentos distintos...na primeira parte, com a narrativa linear mostra o saudosismo ao vinil, com belas referências musicais. Já em um segundo momento, há uma quebra brusca do roteiro e temos a sensação de estarmos assistindo a um outro filme. Mas os personagens são os mesmos, o cenário idem, menos a ação, tudo se transforma numa catarse surrealista e você sai do cinema com a sensação de ter jogado o dinheiro fora.  Eu, particularmente não gostei do filme, mas não impede que o use para introdução do post de hoje, pois na construção do roteiro, fica claro que foi pautado nos dois lados de um disco de vinil.

Mas por quê a comparação? Porque assim como uma moeda tem cara e coroa, o Yin tem o Yang, o John tinha a Yoko, (rs) todos nós possuímos dois lados, lado A e B, luz e sombra.

Vejamos: se somos como um disco de vinil, com dois lados distintos, o lado A, é sempre onde estão as melhores músicas, as chamadas “músicas de trabalho” e é também onde se encontram  o que é mais comercial, ou mais acessível, logo, em tese, o nosso lado A é onde se encontram nossa virtudes, qualidades, crenças e determinações, e nossa fachada exterior, mais aceitável ao público e também a nossa luz.

Já no lado B, é onde ficam o restante das músicas, e muitas vezes nem chegamos a ouví-lo, simplismente porque  sabemos que neste lado, ficam o resto de um trabalho, com material maiss indigesto, e por vezes, figuram no disco para preencher um espaço ou contrato.  E o lado B, em nós, é um lado em que quase nunca é mostrado, nunca é ouvido, é onde se encontram os defeitos, as coisas mais densas, as bizarrias, os medos, nosso lado mais obscuro e privado, logo, a nossa sombra.

Sabemos que, quando ouvimos o nosso lado B, quase sempre as consequências são catastróficas, caóticas e catárticas, assim como no fime. Mas também, sabemos que, não podemos ignorá-lo, faz parte de nós é o nosso outro lado que quanto mais o escondemos, mais obscuro fica. E se não dá pra virar o disco, dá pra tentar pelo menos ouvir nossa própria voz e mudar a letra da música, ou ainda o refrão, para não repetirmos mais e acabarmos arranhando o disco.

Portanto, temos que ter consciência de nosso lado B e trabalhá-lho cada vez mais, internamente, e se tomarmos o devido cuidado de não deixarmos o lado B sobrepor o A, podemos perceber que de repente, poderá ter uma bela canção escondida ali em meio à todo aquele lixo sonoro e que só não virou hit porque não foi trabalhada, sendo assim, pode existir luz na sombra, e o nome disso é transformação.


LOOK 17: Mais vestidinhos com silhueta anos 20, que adoro e tenho muitos! Acho que é democrático pois veste todos os corpos com elegância. 

2 comentários:

Diego disse...

Adorei esse texto! Acho que é bem isso mesmo, temos todos um Lado A e um Lado B. Muito bom!
E PS: Adorei o look do dia!

na ponta da espada disse...

Pois é Diego, luz e sombra convivendo juntos!!e o look vintage, eu adoro! bjs