No premiado filme nacional “Durval Discos” a história do
solteirão dono de uma lendária loja de discos e que é dominado pela mãe se desenrola em dois momentos distintos...na primeira parte, com a
narrativa linear mostra o saudosismo ao vinil, com belas
referências musicais. Já em um segundo momento, há uma quebra brusca do roteiro e temos a sensação de estarmos assistindo a um
outro filme. Mas os personagens são os mesmos, o cenário idem, menos a ação,
tudo se transforma numa catarse surrealista e você sai do cinema com a sensação
de ter jogado o dinheiro fora. Eu,
particularmente não gostei do filme, mas não impede que o use para introdução
do post de hoje, pois na construção do roteiro, fica claro que foi pautado nos
dois lados de um disco de vinil.
Mas por quê a
comparação? Porque assim como uma moeda tem cara e coroa, o Yin tem o Yang, o
John tinha a Yoko, (rs) todos nós possuímos dois lados, lado A e B, luz e sombra.
Vejamos: se somos como um disco de vinil, com dois lados
distintos, o lado A, é sempre onde estão as melhores músicas, as chamadas “músicas
de trabalho” e é também onde se encontram o que é mais comercial, ou mais acessível,
logo, em tese, o nosso lado A é onde se encontram nossa virtudes, qualidades,
crenças e determinações, e nossa fachada exterior, mais aceitável ao público e
também a nossa luz.
Já no lado B, é onde ficam o restante das músicas, e muitas
vezes nem chegamos a ouví-lo, simplismente porque sabemos que neste lado, ficam o resto de um
trabalho, com material maiss indigesto, e por vezes, figuram no
disco para preencher um espaço ou contrato.
E o lado B, em nós, é um lado em que quase nunca é mostrado, nunca é
ouvido, é onde se encontram os defeitos, as coisas mais densas, as bizarrias, os medos, nosso lado mais obscuro e privado,
logo, a nossa sombra.
Sabemos que, quando ouvimos o nosso lado B, quase sempre as
consequências são catastróficas, caóticas e catárticas, assim como no fime. Mas
também, sabemos que, não podemos ignorá-lo, faz parte de nós é o nosso outro
lado que quanto mais o escondemos, mais obscuro fica. E se não dá pra virar o
disco, dá pra tentar pelo menos ouvir nossa própria voz e mudar a letra da
música, ou ainda o refrão, para não repetirmos mais e acabarmos arranhando o
disco.
Portanto, temos que ter consciência de nosso lado B e
trabalhá-lho cada vez mais, internamente, e se tomarmos o devido cuidado de não
deixarmos o lado B sobrepor o A, podemos perceber que de repente, poderá ter
uma bela canção escondida ali em meio à todo aquele lixo sonoro e que só não
virou hit porque não foi trabalhada, sendo assim, pode existir luz na sombra, e
o nome disso é transformação.
LOOK 17: Mais
vestidinhos com silhueta anos 20, que adoro e tenho muitos! Acho que é
democrático pois veste todos os corpos com elegância.

2 comentários:
Adorei esse texto! Acho que é bem isso mesmo, temos todos um Lado A e um Lado B. Muito bom!
E PS: Adorei o look do dia!
Pois é Diego, luz e sombra convivendo juntos!!e o look vintage, eu adoro! bjs
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