domingo, 28 de julho de 2013

Dia 09 - Deslocamentos.


Recentemente em uma pesquisa, foi constatada que São Paulo é a cidade do Brasil com maior número de pessoas com transtornos mentais. Das neuroses leves às mais graves, pânico, bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo, depressão, ansiedade e entre tantos outros que Freud e sua turma poderia explicar bem melhor que eu.

É fato que São Paulo é um prato cheio para os psicanalistas. Oras, em uma cidade em que se gasta mais tempo para se deslocar de casa para o trabalho, ou de qualquer lugar que se queira ir, que te deixa sempre com a sensação que fracassou em uma tarefa, que não a cumpriu a tempo, que parece que quanto mais você corre, e tenta se organizar, mais as coisas se desorganizam na sua frente, não é de se espantar a confusão mental que possa causar.

É incrível a sensação de impotência que se cria, de que você chega no final do dia e pára pra pensar: nossa, eu não fiz nem a metade do que deveria ter feito! Eu não consegui...ou ainda, não deu tempo! Falta tanta coisa! Por mais cedo que acorde, e mais tarde que se deite, a sensação de pânico é enorme e você acha que parte do seu cérebro foi sugado junto com a poluição.

Basta dar uma voltinha no metrô para constatar o que estou falando, um meio de transporte que deveria ser rápido, mais parece um trenzinho turístico de parque de diversões...está cada vez mais lento, e mais deficiente. Fora o horário de rush...bem, esta expressão para horário de pico, está caindo em desuso, pois a qualquer hora que se percorra as linhas principais do metrô ou CPTM é sempre a mesma coisa, é lotado, é suado, é cheio de gente sofrida, é cheio de estudantes em busca de um futuro melhor, é cheio de trabalhador, é claustrofóbico!! E os ônibus? Levam uma eternidade parados no meio do trânsito, que não há corredor exclusivo que dê jeito.

Aí, pensamento de todo paulistano que se preze: vou comprar um carro que vai facilitar a minha vida...e aí fica preso num engarrafamento monstro por 3 horas ou mais...e tem o tal do rodízio...e tem o tal do estacionamento,  e tem o tal do flanelinha, ou “guardador” que te cobra uma facada pra dar uma “olhadinha” e aí se você não for generoso com ele, é bem capaz de quem levar a facada é você.

E onde vai parar tudo isso? No caos, na catarse emocional, na cultura do medo, nas relações doentias, e em tudo mais que uma cidade grande possa oferecer. Mas, pra todo mal, há de haver sempre uma cura, e se não dá pra mudar de cidade, tentamos mudar a postura diante da paulicéia desvairada em que vivemos. 

Passar de ator para expectador e observar a arquitetura da cidade, sorrir para as pessoas, ouvir uma música, ler um bom livro, ou simplismente pensar na vida, no que dá pra mudar, talvez sejam boas alternativas pra fazer enquanto se desloca, e é de graça, não polui, e alivia a alma ...pelo menos momentaneamente.


LOOK 09 - O frio deu uma trégua e deu pra montar um look menos pesado e mais divertido. 

Um comentário:

Diego disse...

São Paulo é uma cidade traiçoeira, tem que ser tudo estratégico se não tudo dá errado. Complicado isso...