Recentemente em uma
pesquisa, foi constatada que São Paulo é a cidade do Brasil com maior
número de pessoas com transtornos mentais. Das neuroses leves às mais graves, pânico,
bipolaridade, transtorno obsessivo compulsivo, depressão, ansiedade e entre tantos
outros que Freud e sua turma poderia explicar bem melhor que eu.
É fato que São Paulo é um prato cheio para os psicanalistas.
Oras, em uma cidade em que se gasta mais tempo para se deslocar de casa para o
trabalho, ou de qualquer lugar que se queira ir, que te deixa sempre com a
sensação que fracassou em uma tarefa, que não a cumpriu a tempo, que parece que
quanto mais você corre, e tenta se organizar, mais as coisas se desorganizam na
sua frente, não é de se espantar a confusão mental que possa causar.
É incrível a sensação de impotência que se cria, de que você
chega no final do dia e pára pra pensar: nossa, eu não fiz nem a metade do que
deveria ter feito! Eu não consegui...ou ainda, não deu tempo! Falta tanta
coisa! Por mais cedo que acorde, e mais tarde que se deite, a sensação de
pânico é enorme e você acha que parte do seu cérebro foi sugado junto com a
poluição.
Basta dar uma voltinha no metrô para constatar o que estou
falando, um meio de transporte que deveria ser rápido, mais parece um trenzinho
turístico de parque de diversões...está cada vez mais lento, e mais deficiente.
Fora o horário de rush...bem, esta expressão para horário de pico, está caindo
em desuso, pois a qualquer hora que se percorra as linhas principais do metrô
ou CPTM é sempre a mesma coisa, é lotado, é suado, é cheio de gente sofrida, é
cheio de estudantes em busca de um futuro melhor, é cheio de trabalhador, é
claustrofóbico!! E os ônibus? Levam uma eternidade parados no meio do trânsito,
que não há corredor exclusivo que dê jeito.
Aí, pensamento de todo paulistano que se preze: vou comprar
um carro que vai facilitar a minha vida...e aí fica preso num engarrafamento
monstro por 3 horas ou mais...e tem o tal do rodízio...e tem o tal do estacionamento,
e tem o tal do flanelinha, ou “guardador”
que te cobra uma facada pra dar uma “olhadinha” e aí se você não for generoso
com ele, é bem capaz de quem levar a facada é você.
E onde vai parar tudo isso? No caos, na catarse emocional,
na cultura do medo, nas relações doentias, e em tudo mais que uma cidade grande
possa oferecer. Mas, pra todo mal, há de haver sempre uma cura, e se não dá pra mudar de cidade, tentamos mudar a
postura diante da paulicéia desvairada em que vivemos.
Passar de ator para expectador e observar a arquitetura da cidade, sorrir para as
pessoas, ouvir uma música, ler um bom livro, ou simplismente pensar na vida, no que dá pra mudar, talvez sejam boas alternativas pra fazer enquanto se desloca, e é de
graça, não polui, e alivia a alma ...pelo menos momentaneamente.
LOOK 09 - O frio deu uma trégua e deu pra montar um look
menos pesado e mais divertido.

Um comentário:
São Paulo é uma cidade traiçoeira, tem que ser tudo estratégico se não tudo dá errado. Complicado isso...
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