Quando o conheci, há mais ou menos 2 anos atrás, eu então
com os meus 38 anos e ele, quase octogenário, de início não dei muita
importância. Fui apresentada à ele por um amigo distante que na ocasião estava
em São Paulo e veio me visitar. Durante o almoço, ele veio de mansinho, com
uma conversa boba, mas que foi me encantando...e este meu amigo tratou logo de
me alertar, que eu deveria conhecê-lo melhor, que iria me fazer muito bem, que
me faria esquecer a dor e o sofrimento que estava sentindo na época por meu
coração ter se quebrado em mil partículas igual quando deixamos cair um vaso
lindo de cristal.
Depois deste primeiro encontro, o tempo passou e sempre
quando aquela dorzinha doída voltava, eu me recorria a ele, como um amigo
solidário para todas as horas, sempre pronto a me ouvir, e como ele me ouvia! E
como ouvia o meu pranto...e sempre com palavras ternas e de conforto, sempre me
acalmando.
O tempo passou e hoje estamos sólidos, eu, cada vez mais
apaixonada por esta pessoa emblemática, amante da música e da boa prosa, e sobretudo uma pessoa incrível, que mudou a
minha vida radicalmente. Se eu tivesse o conhecido antes, muitas das dores de
amores vividos e partidos não teriam acontecido. Mas, como tudo tem seu tempo,
acho que este encontro foi providencial. Me fez ressurgir das cinzas, um gosto
que antes estava adormecido - a leitura - e até arriscar algumas linhas pra escrever
esta cartinha de amor.
Obrigada amigo querido por ter me apresentado o Rubem Alves,
pois sem ele, eu jamais seria capaz de ressignificar tanta dor em tão pouco
tempo e despertar pra vida.
“Mas nós somos como
as lagartixas que perdem o rabo: logo um rabo novo cresce no lugar do velho .
Assim é com a gente: logo a vida volta à normalidade e estamos prontos a amar
de novo. A saudade doída passa a ser só uma dorzinha gostosa.” (Rubem
Alves)
LOOK 14 – Frio,frio, mas muito frio e sobreposições de tons de cinza, rs

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