segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dia 15 – Conflito de profissões...


Quando pequena, falava pra quem quisesse ouvir que quando crescesse, queria seguir carreira no balé clássico. Se me perguntavam, assim à queima roupa, eu falava: bailarina! Ok, o tempo passou, demais para que eu ingressasse numa escola de ballet, e ainda os meus pais não dispunham de dinheiro suficiente para uma tão elitizada arte.

Aos 11 anos, no ensino fundamental, após ganhar o primeiro prêmio em argumentação na aula de literatura, minha professora me convidou para fazer parte da versão (amadora) da peça “Os Saltimbancos” de Chico Buarque, até hoje um dos meus musicais favoritos, e eu, com o figurino de “gatinha” entonava o coro “nós gatos já nascemos pobres...porém já nascemos livres”...é uma pena que naquela época não existiam câmeras digitais ou algo similar pois não ficou nenhum registro desta fase.

Aos 16, durante o ensino técnico, fui convidada por um professor de física (que era a cara do "Magnum" do seriado!) e também ator de teatro a fazer parte do seu elenco. E fiquei por um ano, estudando e atuando peças da comédia dell´arte. Eu adorava tanto teatro e estava tão convencida de que minha vocação era ser atriz, que fiz o teste pro Teatro Escola Macunaíma, e passei, ganhei uma bolsa integral, para estudar sem custo por 2 anos. O curso era noturno, e meu pai preocupado com a minha formação e com também a segurança, não deixou eu cursar e  acabei perdendo a bolsa...e a vocação...e essa foi a maior frustração da minha vida.

Depois deste episódio, prometi para mim mesma, que por mais difícil que fosse, eu iria atrás dos meus sonhos, independente do que tivesse que encarar...na época eu não quis encarar o meu pai, e, menor de idade e conformada, continuei com os estudos.

Aos 18, com um diploma de ensino técnico nas mãos, parti para o mercado publicitário, e fui uma das poucas diretoras de arte que trabalharam numa criação antes do computador, na base da letra set e cola benzina. Fiquei na publicidade por 13 anos, interrompi por um período para fazer faculdade, mas não deixei o mercado de todo, indo para a área gráfica e editorial.

Aos 30, quando achei que não havia mais nada de desafiador na publicidade, e que já estava estagnada profissionalmente,  parti para uma pós em Moda e lá fui eu de novo, mudar de profissão! Caí de para-quedas numa grande confecção e assumindo um departamento inteiro de design.

Eu surtei, eu pirei, mas resisti e aprendi muito, e os primeiros anos numa profissão acho que ninguém esquece, a sensação que se tem é que está emburrecendo, por mais competente que você seja, ainda mais quando você inexperiente, é jogada num mercado como a moda. E aí minha carreira foi sendo construída, tomando outros caminhos, de BH fui pra São Paulo, e entrei de cabeça no universo têxtil e foi quando me apaixonei pelo mundaréu de estampas, desenhos e cores sem fim...depois fui pro varejo de moda, e finalmente com o título de estilista, percebi que era hora de mudar...de novo. Eu serei designer pra sempre, este é o meu dom, mas os caminhos, podem ser outros.

E aos quase 40...bem , estou aqui de novo...tentando ser feliz, tentando um contrato de docente pra chamar de meu, umas turmas pra chamar de minhas e um mestrado a caminho. Pode parecer loucura? Talvez...mas um pouco de ousadia e coragem não faz mal a ninguém. Pelo contrário, rejuvenesce, emagrece e é o combustível necessário para engatar uma nova vida, uma nova perspectiva.

Se eu continuar assim, é bem provável que aos 50, eu decida mudar de novo e criar uma academia de dança e virar professora de salsa, afinal, experiência em rodopios no salão eu acho que tenho de sobra...rs.

LOOK 15: Um pouco de “high-low”, o vestido, é de verão, com a estampa linda de morrer (Antix) e o casaco pesado, pois a temperatura irá despencar aqui em SP.

3 comentários:

Diego disse...

O importante é estar feliz fazendo o que gosta! Muito bom!

Fernanda Inayá disse...

Não pude deixar de lembrar do Antoine de Saint-Exupéry, no começo do livro descrevendo a frustração dele ter que abandonar, "aos seis anos", sua carreira de pintor...

Ainda bem que quis mudar de carreira, assim pude conhecer uma ótima professora de evolução do mobiliário.

Bjs

na ponta da espada disse...

Nossa Fernandinha, que bela observação! eu que me sinto privilegiada, de ter tido alunos e alunas como você! bjus