Gosto de indie rock, é fato, mas antes de virem os rótulos sobre os diversos estilos musicais, a minha relação com a música é antiga, e desde de que me
entendo por gente, sempre associei momentos de minha vida com algum tipo de
som. Desde pequena, meus pais sempre ouviram muita música e foram
muito ao cinema, e eu, de certa forma absorvi (e agradeço) esta cultura toda.
Por isso acredito que bom gosto nem sempre estão ligados à idade e sim à uma
cultura musical iniciada ainda dentro de casa.
Com uns quatro ou cinco anos, me lembro de um engraçado
episódio que considero talvez a “primeira briga com meus pais” rs. Estavam ouvindo
o disco da Rita Lee - Fruto Proibido, em uma vitrolinha vermelha (que hoje é
“vintage” e meu objeto de desejo...) e, eu sempre pedia pra repetir a música
“ovelha negra”. E não adiantava, era só
mudar de música, eu gritava, sem nem falar direito ainda “de novo!!!”, e
aí...lógico, acabei irritando-os. Jovens e inexperientes, sem uma super-nanny por perto pra me dar jeito, eles deram fim à
vitrolinha, mas o vinil eu guardo comigo até hoje...como uma relíquia!
Num outro momento, já um pouco mais crescidinha, mais ou menos uns 8
anos, enquanto ouvia “ABBA Gold” , dancei tanto que me
desequilibrei, caí, bati com a cabeça e desmaiei na hora...tudo isso ao som de “Dancing
Queen”. Bem, isso não foi tão legal...mas eu me lembro da minha mãe tentando me
reanimar e o refrão indo e voltando no
meu ouvido: “You can dance...You can jive...Havind the time of your life”...rs
Quando na adolescência, época de radicalismo e conflitos
musicais, me enveredei pelo heavy metal e de novo, protagonizei uma briga
homérica com o meu pai por não ter me deixado ir ao "Rock in Rio I" pra ver o Ozzy, o
Scorpions e Iron Maiden. Eu tinha 13 anos, e não, não fugi de casa, não passei
a usar drogas e não pintei o meu cabelo de roxo...se bem que, fúcsia ficaria
até bom pra aquela época.
Mas eu tenho uma teoria para maturidade musical, acredito
que o nosso ouvido não está preparado para ouvir certos sons, e quando
atingimos uma certa idade, parece que um canal escondido se abre e passamos a naturalmente
perceber outros sons antes inimagináveis. Isso
aconteceu comigo com os Smiths, Cure, Joy Division, New Order, a parte boa dos anos 80 inteira, o Fleetwood Mac, Yes... tantos outros e é claro, com os Beatles.
E para sairmos da esfera do rock, foi assim com o jazz, a MPB, o samba, o
chorinho, a bossa nova e outros ritmos. (não inclusos o funk, o pagode e sertanejos universitários
ou não).
Sou capaz de cair em lágrimas numa roda bem tocada de
chorinho...um dos dias mais felizes que tive foi quando pude presenciar os
mestres do chorinho tocando ao vivo, num grupo “fechado e secreto” de um
tradicional bairro daqui.
Hoje praticamente escuto de tudo um pouco e sou capaz de sair de órbita,
abstrair todo o restante da cena, literalmente viajar quando uma canção me toca
no fundo d´alma. Rubem Alves, que também adora música descreve brilhantemente
este sentimento do qual partilho:
“Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos de
volta um passado. Lembramo-nos de lugares, objetos, rostos, gestos,
sentimentos...Lembrar-se do passado é triste-alegre...Alegre porque houve
beleza de que nos lembramos. Triste porque a beleza é apenas lembrança...Não
mais existe. Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca
aconteceu. É uma saudade indefinível, sentimento puro, sem conteúdo. Não nos
lembramos de nada. Apenas sentimos.” (A Alegria da Música)
Sentir a música, se abrir para o novo, se permitir ouvir
sons que antes não conhecia ,criar uma nova história, é se abrir para novos
caminhos, novos sentimentos, novas emoções. É ressignificar um momento passado
e criar sim, uma nova trilha sonora pra si mesmo.
LOOK
07: Look basiquinho para trabalhar quentinha em tons
terrosos.

5 comentários:
Música, música, música... Obrigado por me apresentar Fitz and The Tantrums. Beijocas
Amo, amo, amo Fitz! é muito bom mesmo Ri, agora você já pode incluí-lo na sua trilha sonora! beijos
Música é vida! Ninguem vive sem! E tem uns que realmente são perfeitos! Florence + The Machine por exemplo...
Diego, se tiver oportunidade de ver e ouvir a Florence ao vivo, vá, você não faz idéia do que é aquela mulher no palco...emocionante, mágico. bj
Eu estou esperando ansiosamente a volta dela pro Brasil! Sou fã dela! E perdi o primeiro show, do segundo não passa!
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