Coisas
estranhas e absurdas acontecem comigo o tempo todo, e até me emociono com isso.
Hoje eu recebi um e-mail intitulado: “para alegrar a sua tarde” e nele continha
três textos que falavam de amor, um da Cecília Meireles, um poema de Fernando
Pessoa e outro da Clarice Lispector o
qual escolhi para reproduzir aqui.
Além disso, continha
também algumas fotos fofas de flores e
crianças e em uma delas continha um buquê de flores fúcsias lindo intitulado “flores
para a sua quinta” em outra, uma foto de um bebê lindo intulado “sorrindo pra
você”. Num mundo onde praticamente não existe mais gentilezas e onde o que mais
se vê é ninguém assumindo nada na vida, de sentimentos à faturas de cartão de
crédito, isso é raro...e decerto se trata de alguém bem sensível e romântico.
Teria eu um
admirador secreto? rs. Ou pode ter sido um engano? Talvez...mas seja lá quem foi que mandou, este e-mail veio parar na minha caixa de entrada só pra me alegrar o dia...e
sendo assim, agradeço a esta pessoa que tem nome
de anjo mas que não o conheço por esta ação tão gentil... (seria mais uma ação
dos meus anjos da guarda? Estão mais modernos que eu imaginava, agora mandando
mensagens por email!...rs). Grata, não só por me alegrar mas também por me ajudar a
traduzir o que sinto no momento:
“Rifa-se um coração quase novo. Um coração
idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque
que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar
sonhos, e cultivar ilusões. Um pouco inconsequente que nunca desiste de
acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado, coração que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu... "não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...". Um idealista... Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que
comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso
suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração
que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se
expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e,
às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração
tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase
dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o
rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de
emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver
intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que
se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando
parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação
de contas: " O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo, só errei
quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco
coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a
envelhecer". Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um
pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que
não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão
inconseqüente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o
estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração
humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo
cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se
modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina. Um velho
coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta”. (Clarice
Lispector)
LOOK 12: Depois de um e-mail destes, só me resta
sair nesta tarde de quinta fria e me divertir no cinema, em tons de burgundy,
que estão tão em voga neste inverno.

2 comentários:
eu ainda não ví jeans!
hahahha, tenho 2 calças e ainda é black jeans, não curto calças, acho que não combina comigo e só as uso quando viajo de avião, viu Jefferson! bjs
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