quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dia 12 - Rifa-se um coração...


Coisas estranhas e absurdas acontecem comigo o tempo todo, e até me emociono com isso. Hoje eu recebi um e-mail intitulado: “para alegrar a sua tarde” e nele continha três textos que falavam de amor, um da Cecília Meireles, um poema de Fernando Pessoa e outro da Clarice Lispector  o qual escolhi para reproduzir aqui.

Além disso, continha também algumas  fotos fofas de flores e crianças e em uma delas continha um buquê de flores fúcsias lindo intitulado “flores para a sua quinta” em outra, uma foto de um bebê lindo intulado “sorrindo pra você”. Num mundo onde praticamente não existe mais gentilezas e onde o que mais se vê é ninguém assumindo nada na vida, de sentimentos à faturas de cartão de crédito, isso é raro...e decerto se trata de alguém bem sensível e romântico.
  
Teria eu um admirador secreto? rs. Ou pode ter sido um engano? Talvez...mas seja lá quem foi que mandou, este e-mail veio parar na minha caixa de entrada só pra me alegrar o dia...e sendo assim, agradeço a esta pessoa que tem nome de anjo mas que não o conheço por esta ação tão gentil... (seria mais uma ação dos meus anjos da guarda? Estão mais modernos que eu imaginava, agora mandando mensagens por email!...rs). Grata,  não só por me alegrar mas também por me ajudar a traduzir o que sinto no momento:

“Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões. Um pouco inconsequente que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado, coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu... "não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...". Um idealista... Um verdadeiro sonhador... Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo. Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: " O Senhor poder conferir", eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer". Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina. Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, a ter a petulância de se aventurar como poeta”. (Clarice Lispector)

LOOK 12: Depois de um e-mail destes, só me resta sair nesta tarde de quinta fria e me divertir no cinema, em tons de burgundy, que estão tão em voga neste inverno.

2 comentários:

Jeff Carvalho disse...

eu ainda não ví jeans!

na ponta da espada disse...

hahahha, tenho 2 calças e ainda é black jeans, não curto calças, acho que não combina comigo e só as uso quando viajo de avião, viu Jefferson! bjs