Em pesquisas recentes, os cientistas afirmam que o mal do
século XXI será o mal de Alzheimeir, a doença da memória, pois com o aumento da
expectativa de vida, as pessoas estão demorando cada vez mais para envelhecer,
e, o que deveria ser um desgaste natural, acaba por se transformar num mal. Na
verdade, seria como se possuíssemos um “chip cerebral” e este, com excesso de informação ao
longo da vida, não suportaria e daria pane...sem o direito à formatação. È de
fato, me perdoem as toscas comparações, é uma triste constatação e já
presenciei de perto os efeitos nocivos desta doença, esquecer as memórias que
te construíram, as pessoas que fizeram parte da sua vida é triste, por outro
lado...
Quantas vezes já não quisemos esquecer uma lembrança ruim,
um desamor? Um sofrimento sem fim que o mais viável no momento seria
tomar a pílula do esquecimento e só? Isso me fez lembrar de um filme lindo, que
sempre recorro cada vez que me desiludo, e como me desiludo!...rsrsrs...aquele
refrão “desilusão...desilusão...danço eu, dança você, a dança da solidão”...bem
que poderia ter sido feito pra mim, mas, voltando ao filme, estou falando de “O
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” de Michel Gondry, brilhantemente
estrelado pela Kate Winslet e Jim Carrey....no filme, eles formam um casal que,
depois de muitas idas e vindas recorrem ao “apagamento de suas memórias felizes”
para parar de sofrer. É um filme magnífico, lúdico e que sim, figura entre os
filmes de minha vida, e como sabem, conseguem arrancar lágrimas toda vez que assisto.
Não que seja uma melancólica...nasci com um prozac natural
em minhas veias... mas tenho uma sensibilidade à flor da pele que algumas
memórias sim, me fazem chorar...se toca alguma música, se vejo um livro e me
lembra o gosto de uma pessoa, ou ainda quando eu descubro que um “suposto” amigo me colocou no restrito no facebook...rs. Ok, isso não é tão grave, mas é
desnecessário, pois não sou de correr atrás de ninguém...eu corro olhando pra
frente, e só.
Não vejo o porquê das pessoas segurarem suas emoções, ou
guardarem suas mágoas, ou ainda mascararem seus sentimentos...porque isto? Se você gosta
realmente de alguém, porque não se declara? Porquê o medo? Ou ainda porque a falta de sinceridade? Me pouparia
tempo se as pessoas fossem mais sinceras, aí eu partiria logo para a pílula do
esquecimento e as deletaria de vez.
Prefiro a rejeição momentânea que à omissão absoluta. E
atire a primeira pedra quem nunca quis ter a sua mente completamente apagada
depois de uma insuportável dor de amor...mas o coração é o nosso órgão mais
forte, ele suporta as piores dores, as piores decepções e fica firme,
calejado, batendo, forte, no compasso,
no ritmo, ora num chorinho, ora num tango argentino, ora simplismente numa canção
de ninar...já o nosso cérebro, se não cuidarmos dos nossos pensamentos e
principalmente de nossas emoções...este sim, tadinho, não aguentará, e já
que não dá pra apagar como num filme, momentos ruins de nossas vidas, que ao
menos possamos ter a chance de
reeditá-lo em uma nova versão, mais light, mais viva, mais colorida e cuidar
sempre para que as próximas cenas sejam dignas de uma edição especial e em alta
resolução.
LOOK 19 - Look mais
formal para uma reunião de trabalho. Saia longa, camisa e lenço servindo de cinto.

2 comentários:
Sensibilidade incrível!!! Em cada texto define exatamente os sentimentos de muitas pessoas ao longo de suas vidas, inclusive os meus... O filme que citou é realmente emocionante e finda a leitura do primeiro parágrafo ele apareceu de repente na memória...rsrs, eis que é citado na sequência... Acho que principalmente as mulheres gostariam de apagar memórias após um fim de relacionamento, para abreviar a tortura interna que sucede o fim... Como sempre texto super bem escrito e que toca nosso íntimo...bjs
Obrigada Gi, é o que eu falo, todos os textos são auto-biográficos, mas também servem de alento pra outras pessoas, e os comentários de alento pra mim...bjus!!!
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