quarta-feira, 31 de julho de 2013

Dia 06 - Pra casar...


“Você não é o tipo de mulher pra casar, você é, no máximo, pra passar um tempo”.

“Se você me deixar, você acha que vai conseguir o quê? No máximo uma meia dúzia de garotões mais jovens que gostam de mulheres mais velhas porque é mais fácil de dispensá-las.”

“Você nasceu pra ser solteira, é inteligente e bonita demais pra ser casada. Um homem busca uma mulher mais simplória pra esposa”.

Há quase 3 anos atrás ouvi estas doces palavras, de uma pessoa que dizia me amar, tão profundamente que ficou comigo por 8 anos. Ok. Devem estar chocados, mas como o propósito do blog é também exorcizar demônios, não que este não esteja exorcizado, morto e enterrado, mas os exponho aqui como alerta, pois assim como passei, acredito que muitas mulheres se sujeitam a passar por todo tipo de humilhação moral somente para não ficarem sozinhas.

Auto-piedade, baixa auto-estima, insegurança fazem que em determinados momentos da vida, você realmente acredite que é um lixo e que uma pessoa está com você por caridade, te prestando um favor. Oras, faz favor! se chega a esse nível, quem não serve pra você é a pessoa que está ao seu lado e me desculpem se carreguei na tinta, se está pesado demais, mas prometo que ficará leve no final.

E ainda devem estar se perguntando como permiti isso? Permiti porque achava que amor rimava com dor, que relação rimava com anulação, que ciúme doentio era sinônimo de cuidado e proteção.  Me anulei por anos a fio, tentei ser o que eu não era, tentei provar o tempo todo que era perfeita, mas sob um crivo e num grau absurdo de exigência que o meu amor-próprio se perdeu, minha auto-estima despencou e fiquei tão destruída emocionalmente que a idéia de ser abandonada simplismente me apavorava. 

Até quando comecei a me sentir completamente sozinha, abandonada, mas com alguém dentro de casa. Aí eu percebi que aquela não era eu, que eu não estava feliz e que tinha sim, que fazer algo de bom pra mim, que tinha que correr atrás de minha felicidade, mesmo que isto implicasse nas pragas da solidão profetizadas.

Não tenho medo da solidão. Convivo muito bem comigo mesma, e sei me divertir quando quero. E não estou “fechada pra balanço”, ou ainda “fechada para o amor” tanto que, depois de três meses separada, num lugar dos mais improváveis para conhecer alguém o cupido me flechou certeiramente, e catapluft! Lá estava eu de novo, caindo de amores. Mas este foi diferente, ele era um príncipe, me tratava tão bem e me falava palavras tão doces que me faziam sonhar acordada...me enchia de mimos e presentes, era um namoro tão perfeito que a sensação de ter encontrado a “alma gêmea” era tanta, que nos comunicávamos por telepatia. Mas...como todo príncipe, não demorou muito e ele virou sapo...e me machucou uma vez:

“você é a mulher certa pra mim, mas apareceu numa hora errada”...

E depois pediu pra voltar, e eu voltei, e depois sumiu. E partiu...o meu coração e a minha vida. E doeu, como doeu, e machucou, me moeu por dentro...e fiquei um bom tempo recolhendo os caquinhos de mim mesma. E demorou muito tempo para esquecê-lo, pois como esquecer alguém tão fincado em seu coração? Como? E com o tempo eu percebi que não precisava de um príncipe, pois sempre busquei um rei.

Mas eu consegui...e hoje estou livre, pronta de novo, pra amar, incondicionalmente. Mas sei que o amor acontece quando estamos distraídos...e que não preciso procurar nas baladas obscuras da vida, ou numa mesa de bar, num desespero total de pegar qualquer um. Eu vou saber reconhecê-lo, pelo sorriso, pelo toque das mãos, pelo olhar profundo que só quem enxerga a janela da alma sabe do que estou falando. E ele vai me reconhecer  e se encontrar em mim. O amor é simples.

Eu não tenho medo de ficar pra tia, pois na verdade eu já sou, e bastante coruja com uma sobrinha única. Não tenho medo de envelhecer e perder corpo, beleza e tudo mais. Tenho medo de perder a memória, a audição, parar de desenhar. Não tenho medo de não ter filhos (meus Deus, quantas mulheres se anulam por conta do desejo da maternidade! Nem se perguntam se tem mesmo vocação para serem mães! Perdem suas vidas, vivem frustradas e se projetam na sombra dos filhos!) até porque nunca é tarde para uma criança órfã ganhar um lar. E por fim, não tenho medo de amar, atento aqui para uma correção na música do Fabio Júnior: não somos metades.Somos laranjas inteiras. Somos tampa e panela. Somos antes de tudo, indivíduos, únicos, dotados de amor-próprio suficientes pra viver uma vida inteira sem alguém.  Quem se sente incompleto ou pela metade, o nome disso não é amor, é carência.

E, se for pra viver um novo amor, que ele seja leve como uma criança que brinca, calmo como a água de um rio, iluminado como um por-do-sol, terno (e não eterno) enquanto dure e que seja lindo na mais subjetiva das belezas, na do espírito e não do corpo, pois sabemos que, nesta vida estamos aqui só de passagem.

“desejo, que você tenha alguém pra amar, e quando estiver bem cansada, ainda, existe amor pra recomeçar, pra recomeçar”... (Frejat)


LOOK 06: look temático, hoje darei aula sobre Tropicalismo, e escolhi um vestidinho multicolorido da Benedito Calixto para alegrar esse inverno.

7 comentários:

Diego disse...

É um fato curioso da vida, sempre quem tem nossos corações em mãos tendem a nos derrubar. Passei por isso duas vezes e fiquei receoso sobre o que fazer, medo de amar talvez. Quis então não me apegar as pessoas, tentei usufruir de todos que me chamassem a atenção, fosse olhando primeiramente, fosse parecendo mais um "pegador" do que alguem legal de se conhecer. Mas desencanei e me joguei em uma relação que surgiu em um desses momentos, tive medo de dizer que amava, e quando ouvi isso pela primeira vez eu acabei ficando fora de mim. Hoje estou junto e amando, talvez ainda um pouco inseguro sobre o que esta por vir, mas forte o suficiente para aguentar mais um tranco desses. Acabei desabafando, todos temos problemas amorosos né. Acho que o mundo tem muito amor, mas pouco correspondido rsrsrs.

Diego disse...

E parabéns pelo texto, emocionante! Me fez até desabafar, rsrs

na ponta da espada disse...

parabéns pela a coragem do desabafo Diego! o problema não é falta de amor, é a falta de coragem em assumir uma relação, por medo, insegurança, as pessoas acabam abrindo mão antes de perder. bjs

Renata Pedrosa disse...

Quem nunca, né...... Há cerca de 2 anos tbm saí de uma relação bastante doentia de anulação quase total (da minha parte) em prol de um outro que só fazia me manipular em benefício próprio. Fazer o q... Mas os fortes sobrevivem! Eu não sei amar pelas metades. Prefiro tudo com sua intensidade. Sofro, com a mesma intensidade que amo. Mas me recupero com a mesma facilidade que me despedaço tbm. E esses últimos anos têm sido de intensa (re)descoberta. Ainda não deu para acreditar numa relação de novo, mas tbm isso não tem sido mais prioridade. Tem tanta coisa boa pela vida a fora! A gente estando feliz é o q importa! Ui! Desabafos coletivos!

PS: A roupa tá linda! amei!!!!

Fernanda Inayá disse...

“Você é a mulher certa pra mim, mas apareceu numa hora errada” ouvi isso uma vez, e claro doeu, e confesso que incomodou por muito tempo, mas dizem que o amor dos 17 anos é o mais intenso/conturbado e difícil de esquecer. Não por ser o verdadeiro nem nada do gênero, é mais por questões biológicas mesmo, mas marcou...

Ouvir de alguém que me conhecia “você é muito complicada, os homens desistem” não foi agradável, ás vezes me consolo pensando exatamente isso: “Você nasceu pra ser solteira, é inteligente e bonita demais pra ser casada. Um homem busca uma mulher mais simplória pra esposa”, não porque me acho linda e maravilhosa, mas livros me inspiram a tentar tornar momentos incríveis... whatever, não to desesperada vivo um momento tão meu e dos meus projetos que uma relação amorosa talvez não se encaixasse, mas há momentos que tenho vontade de compartilhar um pensamento louco, ou fazer aquela declaração no meio da plataforma do metro e poder ver o rosto do seu alguém ficar todo vermelho... essas coisas sabe... sei que ainda tenho muito pela frente, que todos sempre temos muito pela frente, mas vi posts-desabafos que me fizeram compartilhar esses pensamentos tão meus....

O texto me fez lembrar da musica do Chico: Teresinha... só que no seu caso as estrofes trocaram de ordem.

na ponta da espada disse...

Que lindo Fernandinha! eu fico muito feliz, pois compartilhar dores de amores, alivia um pouco, lava a alma. Quanta à música, eu não conheço, e vou ouvi-la pois fiquei curiosa. bjs

na ponta da espada disse...

Renatinha, voce está num super momento e o que tiver que vir, virá sem esforço, e eu estou adorando os desabafos coletivos, afinal, fui eu que começou..rs bjs